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quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Born a Lion - John Captain
Os Born A Lion são, provavelmente, a grande revelação rock de 2006, um colectivo que nos chega da Marinha Grande em formato power-trio, com o (pouco usual) baterista-vocalista Rodriguez, o baixista Nunez e o guitarrista Melquiadez.
Se os blues necessitassem de uma espécie de licença para serem tocados – uma espécie de curso ou isso –, os Born A Lion seriam daqueles que a tirariam em dois tempos. E essa relação estreita que a banda mantém com os blues, fazem-na manter uma relação de proximidade com todas as suas ramificações.
Os Born A Lion reclamam para si a influência dos clássicos do rock, dos Led Zeppelin aos Black Sabbath, mas também referem os nomes mais recentes de gente como os The Immortal Lee County Killers ou os Danko Jones, por exemplo. E esta referência ao rawk’n’roll nota-se na moldagem suja e crua que fazem ao blues-rock clássico.
Depois de terem sido finalistas da última edição do Termómetro Unplugged e de terem feito a abertura dos Art Brut, os Born A Lion estreiam-se finalmente em disco, com “John Captain”, álbum que sai sob o selo da Rastilho Records, que teima em aparecer ligada aos mais interessantes projectos rock portugueses que têm surgido recentemente.
Em “John Captain” destaca-se o blues-rock de origem claramente norte-americana, não só formal, mas também esteticamente, também em muito devido às composições letristas, que recuperam o imaginário litúrgico norte-americano, o velho oeste e o amor despedaçado pela tragédia humana.
Mas se «John Captain», o single de apresentação do álbum homónimo, desce aos mais profundos recantos da alma americana, temas como «My Black Horse» aproximam-nos mais do rock marcial de uns Sons And Daughters, enquanto que «Lonely Guy» vai beber à fonte hard-rock dos Danko Jones.
Mas o momento alto do álbum chega com «67 Cadillac», segundo tema do disco a contar com a presença de Paulo Furtado (o outro é «My Black Horse», onde o líder dos Wraygunn empresta a sua slide guitar), onde os níveis de electricidade atingem níveis perigosos, perto da histeria blues-punk dos Blues Explosion. E para rematar “John Captain”, nada como experimentar o gospel, com «Jailbraik», canção onde quase conseguimos escutar os coros afro-americanos nos campos de algodão do Mississipi.
Blitz
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